Turisol, vamos cultivar essa Rede!

Em Brasília nos encontramos, dialogamos e semeamos nosso querer para o Turismo de Base Comunitária no Brasil. Encontramos terra boa para esse cultivo, corações que acolheram as sementes lançadas e a missão de cuidar para que cada uma produza seu fruto no devido tempo.

A Turisol retoma o diálogo em rede, as comunidades assumem a Comissão temporária e muitos animadores engajados se somam para apoiar e construir juntos esse novo momento do TBC no Brasil.

O evento ressoou a importância do encontro presencial para trocar experiências, debater e avançar no desenvolvimento do TBC frente aos desafios compartilhados. Foi sem dúvida um grande passo para o fortalecimento do TBC em nosso pais, que hoje já conta com uma trajetória significativa, comunidades mais organizadas, diversos atores envolvidos com o tema, muito o que ensinar e sede de aprender e compartilhar conhecimento.

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Foto: Viviane Castro

Entre amigos, propósitos e descobertas…

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Foto: Viviane Castro

Turismo de Base Comunitária e a posse de terra

A metodologia do encontro foi um permanente convite à participação o que nos permitiu escutar muitas vozes. As questões que envolvem o tema da posse de terra foram expostas por diversas pessoas, deixando ainda mais claro o cenário crítico em que muitas comunidades se encontram. A posse de terra também foi um tema bem expressivo durante a Roda de Conversa que aconteceu em São Paulo.

O fato de não possuir a terra não tem impedido comunidades de se organizarem e começarem a receber turistas, o que merece a atenção do governo e órgãos responsáveis por regularizar esse uso, uma vez que temos experiências exitosas dos benefícios que as comunidades podem gerar para a conservação das UCs ou nos demais territórios que habitam, promovendo seu desenvolvimento integral.

A posse do controle efetivo das terras é um dos pressupostos do Turismo de Base Comunitária, mas no Brasil essa realidade é complexa, pois muitas comunidades se encontram dentro ou no entorno de Unidades de Conservação, outras em terras sem titulação ou ainda em terras particulares como no caso da Comunidade de Matarandiba – BA, que contou um pouco sobre sua realidade no Encontro.

A luta pela posse da terra é antiga e implica diretamente no desenvolvimento de comunidades, sendo a prática do turismo nos respetivos territórios um argumento a mais para fortalecer essa luta, que deveria ter sempre como prioridade o desenvolvimento humano. Essa luta também é nossa!

Presença representativa de diversos atores sociais

O encontro contou com cerca de 180 participantes e marcou a volta da articulação da Rede Turisol em um clima de escuta ativa e construção coletiva.

A representatividade e diversidade dos participantes refletiram a sede do nosso Brasil em conversar, debater, organizar e construir novos rumos para o TBC. Comunidades de várias regiões do país marcaram presença e compartilharam experiências, membros da academia participaram ativamente e se posicionaram como colaboradores nessa construção, agências e operadoras seguem dispostas a enfrentar o desafio da comercialização do TBC, Sesc presente e participativo, ONGs parceiras e comprometidas, além de técnicos e consultores que escolheram atuar com TBC. Os poucos representantes do poder público presentes também participaram ativamente e se desbravaram por trilhar esse caminho ainda em construção.

Se faltou algo, foi tempo, porque a qualidade das conversas foram riquíssimas. Senti falta, por exemplo, de tempo para compartilharmos as experiências e resultados dos Estados que fizeram a mobilização para participação no Encontro, mas o tempo é sábio e na hora certa, como diz um amigo, ele virá!

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Foto: Viviane Castro

Ausência do Ministério do Turismo

A pouca representatividade do poder público foi sentida, sobretudo a ausência do Ministério de Turismo. Seria um avanço histórico poder contar com a participação do Mtur desde o início do processo de co-criação de políticas públicas que norteassem o desenvolvimento do TBC. No entanto, diante da ausência do governo e frente a presença representativa da sociedade civil, fica a pergunta: para o que vamos olhar? Lamentar os ausentes ou celebrar os presentes? Eu prefiro reconhecer os presentes e nossa capacidade de organizarmos e construirmos os pilares para o desenvolvimento do TBC a partir do que temos hoje. Penso que o Encontro foi o primeiro passo nessa direção.

Comercialização, e ai?

A comercialização foi um tema que gerou divergências durante o Encontro e se tornou, a meu ver, uma demanda importante a ser retomada nas próximas ações da Turisol.

O fato é que até hoje ninguém apresentou uma solução para um dos maiores gargalos para o desenvolvimento do Turismo de Base Comunitária. O que sabemos? A comercialização oxigena o desenvolvimento do TBC e tem vital importância para seu desenvolvimento. Por outro lado, sabemos que esse “pulmão” é parte de um “corpo” que caminha em prol do desenvolvimento humano e local. É importante reconhecer a importância da comercialização e conhecer as possibilidades de canais de venda, assim como considero importante reconhecer que a comercialização é apenas um dos pilares do turismo comunitário, uma vez que estamos falando de desenvolvimento humano e local.

A comercialização merece ser revisitada pelo coletivo com o propósito de buscar um senso comum a partir das diferentes vivências, considerando os pontos de convergência entre a experiência de cada um e construindo um caminho sólido com foco no desenvolvimento em escala humana.

Encaminhamentos

As comunidades foram eleitas, pela maioria dos presentes, como membros da Comissão temporária da Rede Turisol que terá atuação de um ano. Os presentes também aprovaram o texto base dos princípios da Rede Turisol com a ressalva de que será revisado pela Comissão e em seguida enviado para as comunidades como convite a participarem da Rede.

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Foto: Viviane Castro

No momento de co-criação os participantes contribuíram respondendo qual seria o papel da Rede Turisol, sendo o mapeamento das comunidades uma questão que se repetiu em vários grupos. Todas as respostas foram acatadas pela Comissão.

Compartilho também o post do nosso querido Alberto Viana, Caminhando e cantando no II Encontro Nacional da Rede Turisol, mais um olhar que soma nessa construção!

Parabéns a toda equipe do Projeto Bagagem, apoiadores e participantes que tornaram esse encontro possível. Espero que possamos seguir nos presenteando com outros encontros presencias que nos motivam a seguir nessa jornada 😉

E que venham os novos frutos da Turisol!!

São Paulo

Por aqui continuamos trabalhando na construção das propostas para o fortalecimento do TBC no Estado de São Paulo co-criadas na Roda de Conversa. O convite segue aberto para quem quiser participar!

Sigamos cultivando o TBC em nossos territórios e fortalecendo a Rede Nacional para que juntos possamos construir o futuro do TBC que sonhamos e queremos para nosso Brasil.

Germinam desejos da alma
Crescem ações do querer
Amadurecem frutos da vida...”
(Rudolf Steiner)

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