Oficinas com representantes do Quilombo de Ivaporunduva em São Paulo – Sesc Pinheiros

No turismo é comum que operadoras de viagens convidem pessoas interessadas em conhecer um determinado destino para participar de uma palestra com um especialista sobre a região. Acaba sendo um momento, muitas vezes, decisivo para quem esta planejando viajar. Agora, pense em representantes de uma comunidade quilombola conduzindo oficinas de artesanato, gastronomia e um bate papo sobre saberes tradicionais com pessoas interessadas em conhecer o modo de vida local. Demais né?!

Quem esteve no Sesc Pinheiros nos dias 07 e 08/04 teve a oportunidade de participar das atividades gratuitas dirigidas por membros da Comunidade Quilombola de Ivaporunduva. Os participantes experimentaram um pouquinho do que se pode vivenciar na comunidade. O CIRCUITO QUILOMBOLA: Quilombos do Vale do Ribeira Eldorado (SP), faz parte da Programação de Turismo Social do Sesc Pinheiros . A viagem que terá duração de três dias, de 05 a 08/05, é um convite para conhecer histórias de luta e resistência das comunidades, além do seu patrimônio histórico-cultural, trilhas e cachoeiras.

O evento foi uma iniciativa assertiva e, até onde sei, pioneira em aproximar anfitriões de iniciativas comunitárias e possíveis visitantes. O Sesc Pinheiros promoveu as atividades em parceria com a operadora de viagens Araribá, responsável pela condução do grupo em maio.

Participei de algumas oficinas conduzidas pela artesã Elvira da Silvia, onde aprendemos sobre a forma de separação da palha da banana, tipos de fibra e um pouco sobre a arte de trançar, tanto manualmente como no tear. Elvira, além de artesã é lavradora e condutora de grupos.

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Elvira da Silva – Quilombo de Ivaporunduva

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Tecendo fibra de bananeira

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Participantes tecendo

Elvira conta que a partir da fibra da bananeira fazem bolsas, tapetes, cestas, almofadas, pulseiras e outros itens.

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Cesta de fibra de bananeira

O Sr. Vandir, lavrador e condutor no Quilombo, comentou sobre a grande diferença entre cultivos tradicionais e orgânicos e, ainda em parceria pareceria com a chef Claudia Mattos do Espaço Zym, compartilhou diversas possibilidades de pratos a partir da banana verde orgânica.

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Claudia, Vandir e Elvira

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Banana verde orgânica

Os participantes foram presenteados com um prato incrível tendo como base a banana…humm!!

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Banana louca com farofa e chips de banana

“O encontro do ser raiz…a vontade de cheiro, de gosto, de verde, de vida!”

Essa foi a descrição da Dona Maria Luísa (62), participante da oficina de gastronomia, quando perguntei como havia sido participar da oficina. Contou também que já tem três viagens agendadas com o Sesc e vai se planejar para conhecer Ivaporunduva.

A oficina contou ainda com uma trilha sonora muito especial 😉

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O evento revela uma nova forma de abordar o Turismo de Base Comunitária (TBC) e promover o intercambio cultural. Todas as oficinas estavam lotadas e com participantes super ativos e interessados pelos temas propostos. Parabéns a todos que tornaram esse momento possível e principalmente pela ousadia em promover novas formas de encontro. Que venham os próximos!!

Para mais informações sobre a viagem ao Quilombo de Ivaporandura que acontecerá em maio, entre em contato com o Sesc Pinheiros (3095-9400) ou se informe pessoalmente. Ainda há vagas disponíveis (até o momento desta publicação). A comunidade também recebe visitantes em outras datas e para mais informações visite o site Quilombos do Ribeira ou escreva para ivaporunduva@gmail.com 😉

Um pouco sobre o território

O Turismo de Base Comunitária (TBC) é uma forma de gestão diretamente conectada ao território e recebe todas as influencias dessa dinâmica. Ao conhecer uma iniciativa de TBC,  o visitante acaba por compreender melhor os processos que ocorrem naquele lugar, os quais podem estar promovendo, ou não, o desenvolvimento local. Quanto à região do Vale do Ribeira, destaco um trabalho que vem sendo realizado pelos moradores em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), que tem o objetivo de registrar o Sistema Agrícola Quilombola somado às ações de fortalecimento da agrobiodiversidade nesses territórios. No vídeo a própria comunidade conta sobre a dinâmica das sementes nos Quilombos do Vale do Ribeira. Vale a pena conhecer!

Sementes de Quilombos – Instituto Socioambiental

Poderia trazer aqui outros aspectos para falar sobre a dinâmica no território, mas a intenção é apenas provocar um exercício, neste caso a partir da dinâmica sobre as sementes,  para observarmos que o Turismo de Base Comunitária faz parte e esta diretamente associado a diversos processos e forças que ocorrem no território. Portanto, quando falamos ou visitamos uma iniciativa de TBC, não estamos falando apenas de uma atividade turística, mas de um modelo de gestão inserido no contexto de um território específico, o que nos permite compreender melhor determinada realidade e logo, interagir a partir do nosso melhor, seja como visitante, acadêmico, gestor público ou privado, ONG ou como seja 🙂

Sigo compartilhando e nos vemos em breve!

Aqui a atitude é aprender e construir junto 😉

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